sábado, 22 de setembro de 2018

Solar Fragment - Man of Faith

John Locke na segunda parte do episódio Piloto de Lost

           22 de setembro é o aniversário de lançamento de Lost. Conforme os anos passam, segue a certeza de que nunca terei tanto tempo para me dedicar a um produto de entretenimento como tive no período de sua exibição original. Este ano tive oportunidade de obter novamente um dos discos da série que haviam sido danificados e passei a ter meu box completo novamente. Há tranquilidade e segurança numa ação como esta. Passeava com meus pais numa tarde em Belo Horizonte e, de repente, noto um saldão de dvds nas Lojas Americanas. Tinha certeza que faltava um, mas, qual seria? Na impossibilidade de confirmação decidi comprar quatro de temporadas distintas. Foi um salto de fé e fui recompensado... Em 2016 pude falar um pouco de 108 Minutos, minha a primeira composição inspirada por Lost. 2017 trouxe Constante aos holofotes em uma homenagem à Desmond David Hume. Este ano trago a composição Man of Faith (Homem de Fé) da banda alemã Solar Fragment. Numa banda com os integrantes fãs de Lost era inevitável que surgisse uma composição homenageando John Locke e sua jornada em busca do destino.


Man Of Faith

Torn by a lie and defeated
by life I despaired
Every single hope was dashed
between the wheels of my chair
Now I revive! The sand beneath my feet:
This is my miracle, this is my release

Here I am, a man of faith
it was my destiny to come to this place
And I know my part: I will meet my fate
I will struggle till I see the island's heart Each of us was brought here for a purpose
each of us is at the island's service
The numbers cannot stop me
from facing Hatch and Rock
Call me hunter or scarface or just call me Locke

Here I am, a man of faith
it was my destiny to come to this place
And I know my part: I will meet my fate
I will struggle till I see the island's heart

(4 8 15 16 23 42 sum up, press "execute")
Yes, I looked right into the eyes of the island

(4 8 15 16 23 42 - you are doomed)
and what I saw was beautiful and you better trust your visions,
follow your siren!
Repent your sins to me!

Now I revive!
The sand beneath my feet:
This is my miracle, this is my release

Here I am, a man of faith
it was my destiny to come to this place
And I know my part: I will meet my fate
I will struggle till I see the island's heart

quinta-feira, 6 de setembro de 2018

Nebulosa

"As coisas, por exemplo, começavam todas pelo princípio e acabavam no final. Por isso, nesse tempo, para ele tinha sido uma grande surpresa, e nunca mais as esquecera, umas declarações do cineasta Godard onde dizia que gostava de entrar nas salas de cinema sem saber quando é que o filme tinha começado, entrar ao acaso em qualquer sequência, e ir-se embora antes do filme ter terminado. Seguramente, Godard não acreditava nos argumentos. E possivelmente tinha razão. Não era nada claro que qualquer fragmento da nossa vida fosse precisamente uma história fechada, com um argumento, com princípio e com fim." - Enrique Vila-Matas, Doutor Pasavento



Nebulosa (2013)
Letra e Música: Thales Salgado

Espaço sem limites
Corpos celestes se agrupam
E os mistérios dos sentidos
São fundados

Deuses agrupam astros
Com sucessivos movimentos
Tão precisos tal gênios
Renascentistas

A Dália Negra encara o Lírio
Será uma miragem?
Rastros de uma nebulosa
A Pairar na paisagem
Vejo o futuro rasgando
Às margens do Sena
(Na falta de um poema)

Sonhos são destino
Mesmo que em vida
Estejamos em estado
De constante despedida

As palavras inertes
Emergem da noite
Constituindo vestes
Que acomodam os instintos

A Dália Negra no Segundo
Círculo do Inferno
O Lírio nômade aprecia
O silêncio dos dias
A cordilheira evanesce
Tão logo se pisa
E a alma nem realiza
Nossas sombras projetam nas nuvens
A tormenta no passeio azul
E os Kilometros Contra a Corrente
Pois que a vida está em outro lugar...

A Dália Negra vê o Lírio
E pensa ser miragem
A nebulosa esconde as pétalas
Por toda a parte
Na pedra do Arpoador
A vista nunca alcança a paz
Nossas escoras de pequenos cais.



  • A vida está em outro lugar - Milan Kundera
  • Cordilheira - Daniel Galera
  • Inferno - Dan Brown
  • Todos os fogos o fogo - Júlio Cortázar
        Estes são alguns dos livros que tinha em mente no momento em que escrevi esta letra. Seria certamente culto colocar entre eles "A Divina Comédia" de Dante, como fonte. Seria uma inverdade. Não me ufano de ter lido Dante no original. Conheci seu trabalho diluído em referências. Fosse na descrição do inferno de Masami Kurumada em sua saga de Hades ou, no então, livro mais recente de Dan Brown. Também não tome a "Dália Negra" nos versos como menção a atriz Elizabeth Short (ou mesmo o filme de Brian de Palma) desconheço-os para além de seus famosos nomes. Esta foi uma das primeiras composições feitas em Guarulhos e a intenção era de que o que eu fizesse após chegar na cidade não fosse preso a qualquer amarra autoimposta no período em Arujá. 
          
         Há no centro do texto uma série de trajetos geográficos, partindo do cenário espacial para a França, o Rio de Janeiro... paisagens apenas sugeridas para outros contextos. Mesmo o Passeio Azul. é lugar inventado por Kariny em seu período pré-Nova Zelândia. Ou seja, há também autorreferência, ela só passaria a crescer daí para frente. A letra fala por si só, ou não? Você leitor, se chegou a este breve segundo parágrafo diga o que achou da letra nos comentários. A demo gravada no quarto da mudança recém feita. E já vão aí cinco anos! Irreal? Onírica? Talvez caiba uma citação ao filme de Richard Linklater, Waking Life:

“Dizem que os sonhos somente são reais enquanto duram. Não podemos dizer isso da vida? Muitos de nós estão mapeando a relação mente-corpo dos sonhos. Somos chamados onironautas, exploradores do mundo onírico. Há dois estados opostos de consciência, que de modo algum se opõem. Na vida desperta, o sistema nervoso inibe a vivacidade das recordações. É coerente com a evolução. Seria pouco eficiente se um predador pudesse ser confundido com a lembrança de um outro e vice-versa. Se a lembrança de um predador gerasse uma imagem perceptiva, fugiríamos quando tivéssemos um pensamento amedrontador."

sábado, 1 de setembro de 2018

O Álbum da Vida #1 (Hybrid Theory)

"Tendemos a nos inclinar mais para o sentido mais escuro da música. Gostamos de sons que distraem e batidas fortes. Falamos sobre perda e auto-estima e ficamos realmente confortáveis falando cada vez mais sobre coisas que estão acontecendo em nossas vidas e nesse mundo tão agressivo e guiado pelo conflito - como os conflitos interpessoais se relacionam com o mundo exterior e vice-versa. Temas de morte, perdão, se agarrar a seus sonhos, estar deprimido. Falamos de todas essas coisas de um jeito ou de outro na gravação. Para mim, as letras que compomos são evocadas pela natureza da música ou melodia. Podemos a soar mais agressivos em partes e então para um lugar tranquilo, belo e otimista em outras." Chester Bennington, em entrevista de Jon Wiederhorn para o Noisecreep, setembro de 2010


**Texto por Luis Antonio

Quando você é adolescente e vira fã de alguma coisa, parece que você vive aquele momento intensamente. Nessa fase, o primeiro contato com tudo é sempre muito marcante. Eu tinha acesso a poucos programas de música. Na minha casa não pegava MTV, o que dificultava bastante as coisas para um garoto louco conhecer bandas novas. 

Lembro de um domingo, em que eu estava vendo um programa de vídeoclipe que tinha encontrado na programação da parabólica, Plugado era o nome. Foi nesse programa que tive meu primeiro contato com o Linkin Park. Vi o clipe de Crawling e aquilo tudo era muito diferente para mim: Vocais berrados, rap no meio da música "Que mistura era essa?" E o visual?  Chester com o cabelo loiro todo espetado, piercing na boca e tatuagens de fogo nos braços. Que irado! Um japonês com cabelo todo vermelho e brincos na orelha. "Quero ser descolado desse jeito!"

Numa época em que praticamente ninguém tinha acesso a internet, vi o videoclipe e não fazia ideia de como conseguir qualquer coisa relacionada a banda. Pouco tempo depois, ouvindo uma rádio, no bloco que tocava as músicas mais pedidas, ouvi In The End pela primeira vez. Ali, foi um caminho sem volta. A mistura de rap com rock era maior nessa música e era perfeita! Fazia todo sentido. Gravei a música numa fita k7 onde gravava as minhas favoritas da programação da rádio e ouvia sem parar.

O engraçado é que praticamente todos os meus amigos descobriram o Linkin Park na mesma época. Você ia comentar da banda e a pessoa dizia que tinha acabado de conhecer também, o que era o máximo. Alguns dias depois meu tio apareceu com uma cópia pirata do disco Hybrid Theory, o primeiro do LP, que eu considero uma obra prima. Confesso que não gostei do cd todo logo de cara, músicas como With you, By Myself e One Step Closer soavam pesadas demais para mim que não estava acostumado com aquela sonoridade agressiva. Todas as outras músicas fizeram a minha cabeça, e depois de uma semana, já gostava de todas as músicas. Impossível ouvir A Place for my Head sem agitar sozinho no quarto.

Logo em seguida pedi de presente para os meus pais meu Hybrid Theory original. Meus amigos também já tinham o cd e ouvíamos Linkin Park feito loucos todos os dias. Foi nessa época que comecei a usar minhas primeiras camisetas de banda, claro que eu tinha que ter uma do Linkin Park. Eu parecia um desenho animado de tanto que usava aquela camiseta. Comecei a comprar pôsteres na banca, revistas com traduções de músicas do Linkin Park (hoje em dia o vagalume acabou com essa magia). Também gravava os clipes em fitas VHS para assistir infinitas vezes.

Fiquei nessa febre com o Linkin Park durante uns anos, depois comecei a conhecer muitas bandas e ficou difícil dedicar tanta atenção a apenas uma. Mesmo assim, nunca parei de ouvir e sempre fiquei animado quando a banda lançava material novo. 

Em 2017, na segunda edição do Maximus Festival, realizei o sonho do Luis de 13 anos e finalmente vi o Linkin Park ao vivo. É complicado colocar em palavras a emoção de ver aquele show. Tantas lembranças... aquela nostalgia, algo que um dia parecia impossível, acontecia naquele momento. Infelizmente foi a primeira e última vez que vi a banda ao vivo, pois o grande Chester Bennington cometeu suicídio meses depois. Essa foi a primeira morte de um famoso que realmente mexeu comigo, fiquei muito triste por perder meu ídolo. O Linkin Park continua sendo minha banda favorita até hoje, sem ela, talvez eu não seria esse Luis de hoje, ela me fez viver minha fase “roqueira”, onde eu usava roupa preta, camiseta de banda e cabelo comprido (espera... 16 anos depois e eu ainda estou nessa fase?).

Hybryd Theory é o cd da minha vida e Chester sempre será meu ídolo.

Obrigado por ser a voz de minha geração! 

terça-feira, 31 de julho de 2018

Parte do que não foi

"Meus olhos encontram os seus e um beijo se perdeu. Posso voar agora. Nascerá todo o fim da solidão. Sinto que não vai passar, nem o tempo apagará. Pois estou vivo e sigo com você nessa história sem fim." Thales Salgado, aos 16.
    Ela escrevera: "É coisa de pele, de carne, de osso, de pó." coisas de amores que matam, por assim dizer. Teria feito boa viagem? Talvez esperasse ouvir essa pergunta. Talvez alguém tivesse feito essa pergunta. Não eu. E digo isso mais por falta de tato para as convenções sociais que por qualquer outro motivo. 

       O que sei, é que ela abrindo as malas deixadas para trás a fez travar contato com insignificâncias cheias de significado. Eu -  inspiração e inveja - decidi fazer o mesmo tendo chegado apenas do próprio cotidiano. Os olhos arenosos. Uma sequência hollywoodiana repleta de ação, tão familiar, levou cada um dos moradores da casa à suas camas. Menos eu. "Estou acordado e todos dormem" diria Renato Russo. Por vezes me pergunto se me é possível terminar um período textual sem mencionar alguém. Quem sou eu? Eu sou a máquina de recordações, sonhando convulsões, esperando a vida chegar.

        Você leitor deste blog pode até ter visto a frase negritada no parágrafo anterior. Ela deveria ter sido uma composição e feneceu como uma vinheta. Se você me perguntar pessoalmente eu sei até cantar este trecho, ainda assim, nunca consegui desenvolver nada que conduzisse ou resultasse deste verso. E esta não foi a única vez. Tive ganas de copiar o capítulo CXXXVI das Memórias Póstumas, sabia? Tenho a impressão de que, por cada semana deste mês, poderia tê-lo feito...

       No tempo em que estive na universidade rabiscava moleskines sem pudor. Neles transbordei parte do que não foi. Suas páginas são malas mofando. Espere, vou abrir uma página qualquer e trazer algo à tona. A ideia era realizar uma narrativa progressiva usando encadeamentos harmônicos de meus primeiros dias como compositor (talvez algo na linha de Um Conto no Jardim) com uma letra mais soturna, abraçando as trevas como quem sabe que sem elas a luz perderia o que tem de aprazível. Esses foram os versos que consegui:

Numa era escondida pelo tempo
Em que a vida era o eterno deixe estar
Desfolhava-se um embate já sereno
Entre a Solidão e os filhos do Amar
Ambos simbiontes do que era divino
Em busca de dominar a criação
Um astuto e, do outro lado, um ferino
E tão hábeis no disfarce e na ilusão.

Eis que o sol então é eclipsado
Pela lua ao meio-dia
Fazendo todos se perguntarem
Se era feitiçaria
Tanto os combatentes
Quanto aqueles que apenas assistiam
Vêem que é a Morte à sorrir

Deixa ecoar seu riso tão profundo
Como ri-se Satanás
A morte não percebeu que em seu manto
Esconderam-se os amores e a solidão
Acabaram todos atrelados
À toda faísca humana
Sendo partes do viver

        Ali, aos vinte e dois, quem escreveu o mal traçados versos sabia bem mais do que eu sei hoje. Mas, ou muito me engano, ou são páginas de feitos inúteis.