quinta-feira, 9 de julho de 2020

Silêncio

“Eu comecei a gravar a maioria de minhas partes para o By The Way em fevereiro. Na verdade, eu provavelmente gosto mais de estar em estúdio do que em um palco, mais por você poder pegar um momento e captura-lo pela eternidade apenas por pressionar o botão ‘Gravar’. Esse é um maravilhoso e poderoso sentimento para mim.”  John Frusciante em entrevista da banda para o site www.loudersound.com em 2002

Ilustração fractal gerada para o blog

      
      Hoje o álbum By the Way completa 18 anos e, ainda que eu tenha consciência de nunca não ter criado algo tão harmoniosamente contundente, tenho uma sensação referente ao registro similar à do John de 32 cuja frase inicia esse texto.
        Tanto que, na madrugada do dia 5 de julho, peguei minha craviola e decidi tentar fazer uma música. Sem pensar se possuía algum verso despido de canção, decidi que retornar ao Meu Livro de Poesia, de Kariny Camargo, e revisar se, ali, haveria algum poema autoral de que eu pudesse utilizar. Fui lendo por alto um a um, entre os que foram postados durante 1866 dias e, entre eles, escolhi um de nome “Silêncio”
      Por alguma coincidência, o poema foi postado no dia anterior a postagem de Fotografia, que musiquei em 2013. Desprendi por volta de 1h30 junto ao violão tento a intenção de manter palavra por palavra como encontrei. A única ousadia foi, quase sem querer, inserir o verso final de “Hermético como Memória”, uma composição de 2017: “É só silêncio”. Obviamente, parece conveniente que este parágrafo traga descaradamente a coincidência e o acidente, foi como se sucedeu, todavia.


Versos como encontrados originalmente

      Assumi que as palavras sejam de Kariny, tanto por estarem em seu blog, quanto por não contarem, como pode ser visto no print, nenhuma outra identificação. Há lá, além de Florbelas, Pessoas, Drummonds, Vinicius, uma série de autores outros: Mago, DDN, HDP... Eles surgem para mim como um tipo de mistério à prova de Google. De modo que, em respeito, não tomaria suas palavras sem consentimento, como é meu hábito vez ou outra com palavras escritas por amigas e amigos, com quem, mesmo que ilusória, teço uma ideia de possibilidades melódicas concretas a partir de alguém “real”.
     Poderiam os versos pertencem a outrem? Sem dúvidas. Até o fechamento desta edição, não recebi dela uma confirmação de autoria ou algo mais referente à composição, deixo, então, esta ressalva. Abaixo, "a letra" mais por questão 

Silêncio (2020)
Letra: Kariny Camargo (?)
Música: Thales Salgado

Eu não lamento,
Não lamento por te ter como um amigo.
Há um amor que encerra liberdade
E uma paz,
Uma paz de te amar somente aqui
Comigo.

Uma paz que por vezes me atormenta,
Que me faz rir e que não mais me faz chorar.

Não te quero pois não sou digna do amor.
Porém há um amor de sincera eternidade...

(Certa de que vai como veio...)

“É só silêncio”

       Parei, pensei, filosofei se seria prudente fazer o upload dessa composição conforme foi realizada, com um arranjo de baixo e bateria feitos no Mixcraft 9 e concluí que, sim. Não por estar bom ou por soar bem, afinal, minha aproximação com elementos percussivos de forma ativa ocorreu tão paulatinamente quanto é possível, mas, justamente por isso. Ter capturado as horas em que batuquei, às cegas, pelas teclas do teclado, sem a menor coordenação para tal.
       Como se eu estivesse escrevendo uma carta para o www.futureme.org será que, daqui à cinco anos, ao me deparar com este texto notarei como evoluí ou serei testemunha de outra abismal estagnação? Se eu viver, verei.

quarta-feira, 1 de julho de 2020

Mais Nada

“Porque alguém escreve é uma questão que posso responder facilmente, tendo perguntado a mim frequentemente. Acredito que alguém escreve por necessidade de criar um mundo em que possa viver. Eu não podia viver em nenhum dos mundos oferecidos a mim – o mundo de meus pais, o mundo da guerra, o mundo da política. Eu tive que criar um mundo meu, como um clima, um país, uma atmosfera em que eu pudesse respirar, reinar e recrear a mim quando destruída pela vida. Essa, acredito eu, é a razão para todo trabalho artístico.” – Anaïs Nin, fevereiro de 1954 em O Diário de Anaïs Nin vol. 5 (1947-1955), como citado em Mulher como Escritora (1978) por Jeannette L. Webber e Joan Grumman, p.38

         
        Quando decidi que escreveria sobre essa música, contava ainda o 31º em quarentena (hoje é o 105º à título de comparação) queria me utilizar de uma composição melódica solar e esperançosa, algo que ocorre pouco em meu universo enquanto “compositor solo”, escolhi, então, uma melodia que não me pertence. É um dos lados agregadores das parcerias, você se deparar com caminhos que pertencem ao universo particular do outro e sua bagagem e forma de perceber o mundo.
        Retrabalhei, então, trechos da letra para retratar, então, essa ideia de reencontro após a distância, em que um eu-lírico sente que a sensação de completude virá ao poder reencontrar outra pessoa. Passei, inclusive, a pensar como há versos ou frases que ficam no imaginário, como “um coração a palpitar” que também reside em Falta, escrita por Anderson Bezerra.
        No “refrão” há brincadeira orbitando “as respostas certas para as perguntas erradas/as perguntas certas e só respostas erradas” como fosse um círculo perfeito de imperfeições, coincidência ou não, minha letra de Baseado em Fatos, também escrita em 2009, possui um trecho em que os versos brincavam “E as diferentes formas de sermos iguais/São iguais maneiras de termos diferenciais”. Qual era a influência de versos assim? Fernando Anitelli? Capital Inicial? É difícil traçar e, no fim das contas, isso não importa.
       Na análise da psicóloga Erika Mendes, o refrão não seria repetido tanto, a menos que a intenção fosse deixar gravado na cabeça, o que ocorreu com ela, mesmo assim, ela sentiu o resultado como o tipo de música que se ouviria cantando enquanto preparava o jantar.


Mais Nada (2009/2020)
Letra: Bob Barduchi Oliveira e Thales Salgado
Música: Bob Barduchi Oliveira

Só que isso não é mais um jogo de azar
A dose errada de amor vai me matar
Entenda, me dê sua dose certa
Posso ir mais devagar se precisar

Mas, na hora, devagar não vai chegar
Vou dar um tempo, uma pausa para cantar
Esquecer da vida, abrir os braços e voar
Estar nas alturas sem o ar para respirar

As respostas certas para as perguntas erradas
As perguntas certas e só respostas erradas
Qual é o lado verdadeiro, da verdade?

Basta viver para rimar
Se tenho voz para cantar
Talvez alguém por quem lutar
Um coração a palpitar
Minha alma vai saltar
Se eu puder me declarar
Quando a gente se encontrar
Sei que não vai me faltar
Mais nada.

Lembranças de um tempo pré isolamento social.

       Refletindo um pouco mais sobre o período de criação, encontrei um faixa a faixa escrito em janeiro de 2010 em que eu comentava que “Bob decidiu que eu deveria cantar e ajuda-lo a montar, para relembrar os velhos tempos das primeiras composições”. 
Considerando que o marco zero de nossas composições ocorreu em 2007, me admira que eu já estivesse falando em “velhos tempos”. Assumirei, com isso, que o exagero era uma característica bem mais aparente em mim naquela época do que é agora.
      Tentando delimitar melhor as datas, encontrei um e-mail de 23/07/2009 em que compartilhava uma gravação preliminar da música, então, ela não deve ter ficado pronta muito antes. A gravação original fora realizada no quarto da casa em que ele morava à época, lugar em que, podemos referir carinhosamente como “Rua do Baixo”. Não faz muito tempo, comentávamos sobre esse lugar no tempo-espaço em que éramos vizinhos.
Milan Kundera escreveu em A Ignorância que “Em grego, retorno se diz nóstos. Álgos significa sofrimento. A nostalgia é, portanto, o sofrimento causado pelo desejo irrealizado de retornar.” 
         Há alguma nostalgia, então, se pensamos em lugares nos quais não podemos estar novamente. Não podemos visitar e apontar um dos lados para o novo dono e dizer “ali Tributo aos Sentimentos tomou forma” e receber de retorno um olhar confuso ou um “Ah! Entendi” de alguém que não faz ideia do que ela vem a ser.
Enfim, aí está, a história viva.

quinta-feira, 25 de junho de 2020

Homônimo #2

"Oportunidades perdidas, possibilidades perdidas, sentimentos que nunca voltarão. É parte do que significa estar vivo. Mas dentro de nossas cabeças - ao menos é como eu imagino - há uma pequena sala em que guardamos essas memórias. Uma sala como as estruturas nesta biblioteca. E para entender o funcionamento de nosso próprio coração nós precisamos seguir criando novos cartões de referência. Precisamos desempoeirar as coisas de vez em quando, lufar ar fresco, trocar a água no vaso de flores. Em outras palavras, você viverá para sempre em sua própria biblioteca particular." Haruki Murakami, Kafka a beira-mar

Comemorar "marcos pessoais" nunca foi exatamente o meu forte. Há dois anos, quando tentei comemorar a longevidade deste blog havia a sensação de algo estar fora do lugar. Hoje, é o quarto ano em que este blog segue existindo. O primeiro texto foi escrito as pressas, como que seguindo o instinto "escrevo, senão, deleto". 
Em uma conversa com Bob Barduchi Oliveira, responsável pelo design e novo projeto gráfico, ele comentou que quatro anos eram uma graduação e me perguntou se eu seria um bacharel em blog da Falsa Modéstia e... talvez eu seja... Talvez não. 
A verdade é que muitas das vezes eu procuro o máximo de referências para ancorar os textos e a pesquisa não levam a lugar algum. Mas não me sinto um escritor, compositor, cantor ou crítico. Escrevo, para quê?


Salto Contra o Medo de Calar (10/01/2019)

Fiquei distante
(Por tanto tempo, por quanto tempo?)
Nada é como antes
(E os lamentos, e tanto pranto)
Parte de mim
Evitando olhar
O Espelho

Debilitante
Só olhar pra dentro, o que vai sendo?
Não obstante
Alheamento não é remanso
Sempre estive
A oeste
E não percebia:

Dois amigos, nas trincheiras
Dissertando a bandeira
Suas cores e valores
Outra vez, ameaçadas
Mãos se enlaçam
Não disfarçam
Saltam contra o medo de calar.

Que as palavras sejam os projéteis
Artilharia para aproximar
Revolver nosso peito
Bem mais que apenas
Um sol de inverno
enlace terno
Mais que a ilusão de paz


Foto: Kariny Camargo
     

domingo, 21 de junho de 2020

Smallville, o Retorno (...e um soneto)

"Govinda disse, 'Nós já aprendemos tanto, Sidarta. Ainda há tanto a aprender. Nós não prosseguimos em círculos, nós estamos indo para cima. O caminho é uma espiral; e nós já galgamos vários passos." Sidarta, de Hermann Hesse. Parte I, capítulo, Com os Samanas.
Versão editada da capa do "mangá" feito no René, em 2006

INTRODUÇÃO

       Nas últimas semanas, tenho revisto as temporadas de Smallville, atualmente, elas estão disponíveis, atualmente, pelo Prime Video da Amazon (não, este não é um artigo pago, como aprendi com a podosfera, é sempre bom lembrar).
Há diversas instâncias em que menciono a série até hoje, seja por ela ter sido um forte motivador para que eu conhecesse bandas como Depeche Mode e Interpol – e outras, como Staind que, apesar de eu nunca ter adentrado na discografia, figurava em meu “repertório solo” com Outside – ou por muito de meu entendimento da mitologia do Superman ter partido da mitologia instituída pela série.
      Apesar de isso não tão claro atualmente, o meu “eu” do ensino fundamental II, inclusive, tinha o hábito de escolher tênis, chuteiras, ou mesmo jaquetas vermelhas para contrastar com o azul do uniforme escolar. Tamanha era a inspiração em Clark Kent.

       Havia, claro, a reverência ao cânone dos filmes de Richard Donner, que assistíamos em casa de vez em quando. Com o icônico Christopher Reeve a, também, icônica primeira dublagem com André Filho. Mas, “o grosso” ficou com Smallville.
       De modo que, tenho a vaga lembrança, parecia uma heresia que a Warner se decidisse por Brandon Routh para seu Superman – O Retorno, quando Tom Welling desempenhava o papel de um jovem e inexperiente Clark tão bem. Tivesse apostado nesse “transmídia” naquele, hoje, longínquo 2006, talvez, a DC Comics/Warner tivessem inaugurado no cinema. algo que, atualmente, com seus erros e acertos, tem ocorrido com maior frequência, notadamente, no Universo Marvel. 

JÁ ERA TEMPO

     O sexto evento anual do Universo televisivo de Arrow, Crise nas Infinitas Terras, realizado entre o final de 2019 e o início de 2020, cruzou episódios das séries Arrow, The Flash, Supergirl, Legends of Tomorrow e Batwoman, além de participações especiais de Black Lighting e, claro, os próprios Tom Welling e Brandon Routh dando vida à outras versões do Último Filho de Krypton. Dentre as participações, outra digna de nota foi o encontro do Flash da série, Grant Gustin, com o Flash do Universo Estendido DC, Ezra Miller, deixando claro, o óbvio, de que há espaço para diversas encarnações concomitantes interagirem sem a confusão o público.
      Não que desbravar fosse o interesse da companhia, é bom ressaltar, com um orçamento megalomaníaco de US$ 270 milhões, o filme com Brandon Routh, faturou cerca de US$ 392 milhões para os cofres da Warner Bros. Pictures que, após o “divisor de águas” Cavaleiro das Trevas, cancelou a sequência do filme e decidiu optar pelo tom “sombrio e realista” – que dominou as produções da companhia até que surgisse a ensolarada trinca “Mulher Maravilha, Aquaman & Shazam” – encabeçados pela produção de Christopher Nolan e do “visionário” Zack Snyder: O Homem de Aço, de 2013.

O SONETO

Soneto de Dissociação (19/06/2020)

Uma confissão atrasada, te faço
Pois sei que, há tempos, eu já não te ouvia
E, mesmo eu ouvisse, você partiria
Restando, a mim, só este descompasso

Meu erro, querida, eu sinto que foi crasso
Ao vê-la, de canto, aquele dia
Não te aninhei, tal uma cotovia
Resguardando, do sofrer, estilhaço

Eu vi outrem, selando teu frio lábio
Tua tez, a mim, lembrou uma boneca
Um enigma, escondido, no alfarrábio

Riscado em ouro, num tesouro asteca
Não fingirei, ser fácil, feito sábio
Saudades, de ti, vou sentir: caneca.

        Lembro quando assisti à Returns em 2006, contava dezesseis anos, fui com a família ao Cinemark do Shopping D e, após a sessão, comprei uma caneca que, na última semana, se quebrou. Esse evento, inspirou a que eu escrevesse o soneto acima. Um exercício descompromissado, afinal, é apenas uma caneca. Mas, diferente do Combo de Vingadores Ultimato, por exemplo, ela teve diversas utilizações durante 14 anos, “ela também se mudou” de Arujá para Guarulhos, portanto, vale a lembrança.
      “Pode parecer bobagem, um impulso infantil” Pode até soar apenas nostálgico e, talvez, seja, mas, o fato de ter um objeto que muda de função de diversas maneiras. O evento também me levou a conhecer o trabalho da “Restauração Prates”, especializada na restauração de obras de arte e objetos de valor sentimental. Infelizmente, por novo descuido meu, os restos mortais da caneca foram para o lixo... Se você, leitor ou leitora, desse texto também acompanhar Once Upon a Time, sabe o quanto uma xícara com história, mesmo que esteja lascada, pode ser poderosa. (Sim, o meu cânone é OUaT, A Bela e a Fera veio antes mas... perdeu a vez).

"certas vezes, a melhor xícara de chá, está lascada"

O MANGÁ

       Passada esta questão que motivou o texto, me veio a lembrança outro “acontecimento” daquele ano de 2006. Um dos pontos altos da aula de artes da pedagoga Marize Manopelli em meu segundo ano do ensino médio, foi um trabalho em que realizaríamos uma história em quadrinhos, é, inclusive, uma edição de sua capa que ilustra esse post. "o mangá" estará ao fim do post, na íntegra. 

     Achei curioso nesta história é que, em determinado momento, eu mencionasse “o segredo da ilha de Lost”, uma vez que, de acordo com os registros do jornal O Estado de São Paulo, a segunda temporada da série estreara pelo canal AXN no dia 06 de março. Sabendo que o primeiro episódio que assisti da série foi em uma reprise de domingo, a primeira vez em que assisti a Lost, foi no dia 12/03/2006. De acordo com uma notícia veiculada no Omelete no dia 30 desse mesmo mês, a conclusão da quinta temporada de Smallville estrearia nos EUA no final de maio ou início de junho, chegando às telas da Warner Channel por volta do início de julho. 
       De modo que, era o momento perfeito para integrar uma nova série ao cronograma. Quem poderia dizer que, apenas três meses depois de começar a assistir, ela já fizesse parte de meu imaginário a ponto de receber uma menção em um crossover, constituído, principalmente, por personagens do universo de Smallville e The King of Fighters?

Nem o violão que ganhei de meu pai passou incólume ao Homem de Aço

RAMIFICAÇÕES

      Por último, mas, não menos importante, algo que notei na história é que das sete personagens que aparecem, apenas uma é feminina. Em uma participação monossilábica da mãe biológica de Kal-El, Lara-El – inspirada claramente na Saori presente na capa da edição nº 37, de julho de 2003, da primeira edição do mangá Cavaleiros do Zodíaco, publicado pela editora Conrad.
      Isso me chamou ainda mais atenção, devido ao fato de que, em revisão, Smallville é uma série com diversas personagens femininas marcantes e, ainda que toda a ação do seriado seja conduzida com o intuito de descobrirmos como Clark Kent se tornou o Superman, cada uma delas tem seus próprios arcos definidos e que, nem sempre, tem relação com o kryptoniano. Pensando no texto durante a terceira semana de junho, constar isso ficou, para mim, ainda mais gritante, ao surgir em minha timeline que 21 de junho é o aniversário da atriz Erica Durance, que interpretou Lois Lane durante sete anos e participou do supramencionado evento Crise nas Infinitas Terras do canal CW.

      A lembrança que eu tinha de meus quinze anos, era de não ter recebido bem a chegada da personagem à série. Provavelmente, por significar “a saída” da personagem Chloe, que sempre fora uma favorita. Estando próximo ao fim da sexta temporada, vejo facilmente o quanto desta opinião mudou: A personagem trouxe uma série de novas dinâmicas para o seriado e, mesmo a quarta temporada, com foco na busca pelos artefatos guiada pela “reencarnação” da bruxa Margaret Isobel Thoreaux, ‘induzida’ por Genevieve Teague, a única vilã da série e que, curiosamente, nunca conheceu Clark, se mostrou mais divertida do que eu me lembrava. Algumas opiniões, não sobrevivem à regra dos quinze anos e, que bom.
        
        Ainda pensando em Lois Lane e sua representação, apesar do fan-service, na série a personagem recebe muito mais a fazer que Amy Adams, a Lois atualmente nos cinemas – embora, séries, por definição, permitirem um desenvolvimento mais incisivo a longo prazo. Encontrei, inclusive, um artigo de Laura Wilson, da Universidade de Nova Jérsei, com o título “How Progressive Of You: The Women of Smallville” (Que Progressivo de Sua Parte: As Mulheres de Pequenópolis, em tradução livre) que pode ser lido na íntegra aqui Nele, a autora faz uma análise da presença feminina dentro dos 217 episódios da série e os diferentes arquétipos, convenções e evoluções passam seis personagens femininas principais: Chloe Sullivan (Allison Mack), Kara Zor-El Kent  (Laura Vandervoort), Lana Lang  (Kristin Kreuk), Lois Lane  (Erica Durance), Martha Kent (Annette O’Toole), e Tess Mercer (Cassidy Freeman). Traduzi um trecho em que ela descreve a presença da Lois de Erica na série:
“Lois Lane é o segundo interesse amoro de Clark e uma prima de Chloe, ela é introduzida no início da quarta temporada, após a Chloe se declarada morta. Ela tem, inicialmente, uma relação algo que mordaz com Clark, mas eles eventualmente se tornam colegas de trabalho e legítimos amigos, antes de evoluírem para interesses amorosos na oitava temporada.Lois é a destemida filha de um general militar, o que significa que ela, diferente de Chloe e da Lana das temporadas iniciais, tem um legitimo treinamento para auto-defesa desde o início. De diversas formas, Lois é o oposto de Lana, ainda que mantendo, basicamente, o mesmo papel na narrativa.Frequentemente, Lois acaba necessitando se resgatada por Clark. Essas abduções são usualmente não causadas pela obsessão de um vilão com ela ou suas conexões com Clark e outros heróis, no entanto, em vez disso, é a própria curiosidade de Lois e o desejo de investigar a fundo situações perigosas é o que a leva a terminar como uma donzela em perigo. Muitas vezes ela revida, às vezes até salvando a si mesma com apenas algum apoio menor e não exibido de Clark. As únicas instâncias em que ela está completamente indefesa é quando ela está seriamente ferida, inconsciente ou contra um oponente que, de alguma forma, tem superpoderes”.

      Considerando as leituras possíveis de serem feitas hoje, o "eu" que está a ver a série nem pode ser considerado a mesma pessoa que a viu a primeira vez, a impressão de que é uma série, muitas vezes, distinta. É bem diferente, inclusive, acompanhar uma série semanalmente e poder visualizar, on demand, todas as resoluções de tramas. Finalizo então, tomando emprestado o título do quinto álbum do rapper Gabriel, O Pensador, “seja você mesmo, mas não seja sempre o mesmo”.

DEVE SER O QUE CHAMAM TÚNEL DO TEMPO:









Ter o registro da avaliação ancorou o trabalho em 2006

Adaptação manuscrita do aviso dos mangás da Conrad/JBC
Obviamente, a história, apesar de colorida,
Foi concebida da esquerda para a direita

segunda-feira, 15 de junho de 2020

A Menina em Sépia

“Dr. Louise Banks: Se você pudesse ver sua vida inteira do início ao fim, você mudaria as coisas?Ian Donnelly: Talvez, eu diria o que sinto com mais frequência. Eu, eu não sei.” - A Chegada, 2016, de Denis Villeneuve, com roteiro de Eric Heisserer baseado no conto História da Sua Vida, de Ted Chiang.





A Menina em Sépia (2008)

Não me adiantaria o torpor eterno
Se a consciência não parasse
Para me fazer descansar
De tantas viagens
Onde as paisagens não eram alivio
Para ninguém, e o "não" 

E o "não" era tantas
Vezes que se ouvia
Que já era raro alguém
Não viver no oposto da emoção

Estava-se preso em locais
Distantes, tão seguros
Que eram n'outro tempo
Os vocábulos reprise, tentação

Me mudei
E cai, enquanto agora
Espero alguém aqui
Talvez o sono não venha mais
E você, meu "sonho"
Vem?

Minha bela estrela
Venha me calar
Não tenho palavras
Mas posso cantar
Minha bela estrela
Paralisa-me o seu doce olhar
Minha bela estrela
É um sonho, não quero acordar.

         Antes de escrever este texto, fui procurar um calendário perpétuo. Nele, verifiquei que o dia 15 de junho de 2008 foi um domingo.
       Apesar de não ter encontrado, digitalmente é bom dizer, nenhum periódico da região do Alto Tietê da época para fundamentar essa alegação, imagino este tenha sido o encerramento do “Encontro das Nações” de Arujá.
       O que coloca a primeira apresentação da banda Falsa Modéstia no evento, ocorrendo, salvo melhor juízo, no dia 12, uma quinta-feira. Isso é importante, pois, como bem pontua Nando Reis no vídeo em que explica a história por trás da letra de Dois Rios “a memória é a forma como a gente pensa, na atualidade, o que se passou. Aí já começa toda a viagem. Da mesma forma, quando se escreve uma coisa no passado e, ao longo do tempo você mantém contato com ela, ou quando você volta a ter contato com ela (...) o significado, mesmo que remeta e remonte ao que foi feito anteriormente, ele está inalienavelmente associado ao que se dá agora”.
       Dentro do período de sete meses e meio entre a apresentação na E.E. Esli Garcia Diniz e o Encontro das Nações, muita coisa aconteceu. As mudanças mais superficiais tendo sido meu aniversário de 18 anos e o fim do Ensino Médio. Outras mudanças, mais sutis, todavia, se consolidavam, como a percepção de que o ditado “a primeira impressão é a que fica” ou estava equivocado, ou apresentava exceções.
A pesquisadora da Universidade de Nova Iorque Irmak Olcaysoy Okten investiga processos de percepção pessoal e autopercepção, com foco específico nos papeis da memória e motivação nestes processos e tem um artigo de 2018 muito interessante sobre o assunto e ele pode ser apreciado “aqui”.
      Outra mudança no universo particular, se deu no número de composições. Se em outubro de 2007 havia cerca de 14, reunidas com o intuito de compor o repertório autoral. Em 2008, o ato composicional prosseguia de maneiras distintas, já sem um prazo específico, resvalando em uma série de temas como a solidão em O Sol Só II, Lost, como não poderia deixar de ser, em Constante. Além, é claro, da canção que nomeia este texto.
Nascida refletindo especificamente as mudanças sutis ocorridas nesse período supramencionado, minha lembrança é de, naqueles dias, descer ao centro da cidade com um CD-R com as composições e, entre elas, esta. A primeira composição em que utilizei uma gaita diatônica. Como possuía apenas uma em Mi maior, era imprescindível que esse fosse o tom. Sua melodia revolve em torno de “E C#m G#m A / F#m B”. Apesar de minha limitação com o instrumento, seguia meu interesse consciente em que as composições tivessem mais de três acordes.
         Sua letra foi escrita refletindo em andanças pela cidade e, mais que minha dileção por fraseados floreados, há nela, algo de inexperiência: Quanto se pode conhecer em sete meses? Como se pode agradecer a alguém por falar de vida?
Estas perguntas, entre outras, iam e vinham.
      Se hoje, 2020, posso ligeiramente seguro, tentar emprestar as palavras de Haruki Murakami de que “para pintar um retrato com vida, é preciso compreender a essência escondida nas feições de cada pessoa”. Isso vem de uma série de leituras e vivências ocorridas no espaço de doze anos. Hoje, pude fazer um desenho no dia 6/01 e outro no dia 26/01 sem que fossem tão funcionais quanto um desenho feito no dia 24/05.
Para o desenho feito em 2008, baseado na mesma foto que inspirou o título da canção, apresentado aqui com uma máscara de cor que o diferencia da versão original, eu poderia dizer, emprestando palavras de Dominick Cobb, no filme Inception, dirigido e roteirizado por Christopher Nolan: “eu não consigo imaginá-la em toda a sua complexidade, toda a sua perfeição e imperfeição. Você é apenas uma sombra (...) você é o melhor que eu posso fazer”.
       A música, carrega isso. Ela abarcou, inclusive, a leitura que fiz de A Marca de uma Lágrima, livre adaptação de Pedro Bandeira para a obra Cyrano de Bergerac, de Edmond Rostand. Decidi verificar nas páginas do livro de onde emprestei o conceito de uma pessoa personificada de sonho, não foi preciso ler muito. Bastou chegar ao capítulo 2. Mas essa imagem era tão interessante, que era impossível deixar de usá-la.
Essa inocência, poder-se-ia dizer, hoje, que me inspirei nas Canções de Inocência e Canções da Experiência de William Blake, mas, seria equivocado, visto que conheci o autor apenas na faculdade, está inserida em alguns dos versos e, talvez, seja até perceptível. Se eu ousasse descrever o tamanho do medo que senti ao perceber que utilizaria verbos possessivos nos versos finais do poema, não caberia aqui. Mas não ouso.
       Hoje não faz exatamente doze anos que compus esta canção, mas era importante, para mim, contextualiza-la dentro do espaço-tempo em que ela foi composta. Pensei que, durante a leitura do livro João Machado documenta: Arujá, Cidade Natureza poderia descobrir as origens do “Encontro das Nações” e assim traçar um paralelo entre o ontem e o hoje. A festa em que estive antes e depois de compor e em que, provavelmente teria estado este ano, não fosse a pandemia que, infelizmente, tem trazido vítimas muito mais graves que uma festa popular. Não encontrei o que procurava, talvez por, como bem pontua o sociólogo na introdução: a cidade ter “bloqueado os caminhos das lembranças, arrancado seus marcos e apagado seus rastros”.  
      Ainda assim, há um outro ditado: nós podemos ser escritores e editores de nossas próprias vidas. Enquanto não há presença, haverá, sempre, a lembrança.

domingo, 7 de junho de 2020

Árvore da Solidão

“Se a preocupação com a técnica é inseparável do artista (Delcroze, 1925), o verdadeiro músico transforma inconscientemente tudo quanto acontece em manifestação de natureza sonora. Ele compõe obedecendo a um impulso inato, mas necessita sempre do conhecimento técnico para ”enformar” a emoção numa construção artística.” Da música, seus usos e recursos – Maria de Lourdes Sekeff – 2ª ed. Ver. E ampliada – São Paulo: Editora UNESP, 2007
Anjo Gabriel, do artista soteropolitano Enoque Cesar de Souza
na Praça IV Centenário em Guarulhos, foto por Thales Salgado em 09/10/2019

Árvore da solidão (2011) 
Letra e música: Thales Salgado 

Árvore da solidão 
Sonhava estrelas 
Opacas, vibrantes: 
Não podia tê-las. 

Ir p'ra casa, um banho. 
Parecia-lhe um plano estranho 
Seus pés sempre presos ao chão 

A chuva não mais vem 
E nem a reza, lhe leva alguém 
Para regar (para regar) 

Ao longe avista galhos que um homem carrega 
Esquecendo o direito que ela tinha a dizer "Não" 
O canto das motosserras retalha a arvore da solidão 
Dão lhe só o direito de se ver tornar carvão



         Quando junho começou, passei a pensar em escrever um post sobre uma canção de 2011 chamada que versava sobre uma “árvore da solidão”. Revirando a caixa de e-mails, verifiquei que encaminhei a demo pela primeira vez no dia 02/10, um domingo, então, podemos considerar que ela foi composta naquele final de semana.
      Não sei há exatamente quanto tempo ela estava escrita antes disso. Mas sei que tentara uma série de melodias para aquelas palavras, infrutiferamente.
      O título do “álbum” seria Eclipse de Silêncios. Sabe aquelas coisas que você pensa “isso soa bem” e tem que, estupidamente, interromper o que quer que esteja fazendo para anotar? A ideia soava assim, “original”.
       Uma superficial consulta ao Google me fez descobrir em 2020 que tanto o poeta Pedro Barão de Campos quanto o cantautor espanhol David DeMaría já mencionavam o termo. Não existimos em um vácuo, portanto, isso não é nada de novo.No fim das contas, nunca senti que as composições daquele período, entre 2011 e 2012, feitas entre o Mosaico de Estrelas e o álbum feito em parceria com Kariny, respondessem a algum conceito maior:
     Havia desde letras de amigos meus, composições coletivas inspiradas no dadaísmo com colegas no último semestre da faculdade, versos roubados, a até mesmo o trabalho com autores desconhecidos. De modo que todas aquelas ideias possíveis foram recombinadas sob o título De Tudo o Que Não Foi e mesmo o termo eclipse de silêncios acabou por integrar a letra de HMK, apenas em 2013.
      Contextualizada a ausência de uma linha guia para as composições daquele ano, recordo que, em parte, a letra dessa composição partiu da ideia de “também ter uma música com árvore”. Tão somente, pensando em artistas que recorreram ao tema e eu estava ouvindo naquele período consigo levantar três: Dave Matthews Band e sua A canção The Dreaming Tree de 1998. A composição Dance ‘Round the Memory Tree, de Oren Lavie (2008), que fez parte da trilha sonora do filme As Crônicas de Nárnia: Príncipe Caspian e, em alguma escala, o álbum Sometimes I Wish We Were An Eagle (2009) de Bill Callahan em que cenários campestres surgem de quando em vez, seja em Jim Cain (Comecei em busca de coisas ordinárias/Quanto de uma árvore enverga ao vento), Too Many Birds (Muitos pássaros em uma árvore só), My Friend (Agora, não estou dizendo que fomos cortados da mesma árvore), e All Thoughs Are Prey to Some Beast (A águia olhou claramente através da árvore-cérebro).
         Pode ser, e aí estou entrando em terreno movediço pelos campos da memória, que a questões como estas estivessem germinando de antes; historicamente, o período entre agosto e setembro costuma registrar os números mais elevados de focos de calor, incêndios e casos de queimada.
         Ainda que, naquele ano, não tivéssemos vivido um anoitecer precoce, como ocorrido em 2019, quando os efeitos da fumaça de queimadas na região amazônica puderam ser sentidos bem longe da Amazônia, chegando a locais como São Paulo e Paraná, seria exagerar dizer que notícias com a mesma temática estivessem rondando o período?Também corrobora com essa impressão a menção nos últimos versos do “canto das motosserras” um tributo à letra de Um Caminho Para o Céu, de Bruno Barduchi Oliveira, uma vez que esta é, cronologicamente, a primeira composição musical que fiz. Há, também, no verso que diz “ir p’ra casa, um banho” a tentativa de aproximar a letra do cotidiano, flertando, brevemente, com uma ideia retirada de L’âge D’Or que tinha, entre seus versos “Meu tornozelo coça/Por causa de mosquitos/Estou com os cabelos molhados/Me sinto limpo”.
         Obviamente, um banho nada tem de estranho (a menos que se considere o plano do eu-lírico da canção, que está imobilizado), mas, para quem passara o período entre 2007 e 2010 sempre escolhendo termos como “torpor eterno” e “descalabro” para compor as letras, flertar com uma ação cotidiana era um avanço.

Foto do moleskine com a cifra
referência para a gravação,
 mais simples, impossível.

domingo, 31 de maio de 2020

Quem?


"Quando nos lembramos de pessoas que foram gentis conosco, quando nos lembramos de tempos felizes, não estamos meramente nos envolvendo em uma fantasia. Estamos relembrando a nós mesmos de nosso lugar no mundo. A nostalgia nos dá apreciação renovada pelas pessoas e lugares que constituem nossas vidas." –  The Time Machine: How Nostalgia Prepares Us For the Future em Hidden Brain por Shankar Vedantam

   Trecho de entrevista concedida a Jorge Luís Barros em 2011:

Jorge: Há uma chamada Quem? E ela parece destoar totalmente do resto do disco, foi intencional? Thales: Esta música quase não entrou, ela assemelha-se mais a uma sobra, imagino eu. Porém, me veio quando eu estava navegando pelo Orkut de Estela e reparei que não havia foto no perfil. Pensei em alguém descontente com o próprio eu, sem se reconhecer no espelho e escrevi com base nisso. Não houve outra estrofe por eu não ter conseguido pensar em nada depois da ‘pálida sombra do que não fui...’ definitivamente é uma canção ruim, mas tinha relação com o que eu estava fazendo, então a aceitei para ser a penúltima música do lado A.


Quem? (2011)

Letra e Música: Thales Salgado

Cântico de silêncios
Em difusa forma, quase um borrão
Na simetria do espaço

Pálida sombra do que não fui
Com que direito censura?
Os traços e os planos que faço

Quem me olha lá?
Quem me vê chegar?
Não me reconheço no espelho

        Ouvi em uma das primeiras aulas do curso de Lucas Silveira que “as boas ideias sobrevivem a problemas técnicos”. Tendo isso em mente, mantive o áudio de quando tinha 21. Para ser sincero, eu já fiz isso uma série de vezes nas postagens do blogue sem ter ciência dessa máxima. O trecho da entrevista sobre o Mosaico de Estrelas veio como tentativa de contrapor isso. Em 2011 minha visão era taxativa “definitivamente é uma canção ruim”, o pensamento aos 30 é o mesmo? Será que com alguns retoques isso mudaria? Quem sabe novos versos ou uma regravação, em um estúdio, daria outro ar, mesmo a essa composição? Elucubrações.
        Independente disso, me lembro que essas composições foram realizadas em julho e agosto de 2011. Estes dois meses compreenderam sessenta e dois dias dos quais me lembro de poucos acontecimentos, além das canções, poderia olhar em meu moleskine outros eventos que tenham ocorrido, mas, o que mais estava acontecendo? Qual era a vida?
        O isolamento em que estou já conta e setenta e quatro dias. Nele, não surgiu outro álbum (embora Adriana Calcanhotto compôs seu disco ‘Só’ inspirada no período, cada um encara a fase à sua maneira) mas apenas uma música e uma série de desenhos. Os tempos são outros:
          Em entrevista à Folha de São Paulo, o profº de neurociência da Universidade Federal do ABC, André Cravo, explicou que um dos fenômenos que interferem na nossa sensação da passagem do tempo são quantas ocasiões marcantes e diferentes entre si aconteceram em um determinado intervalo e que, a partir de milhares de relatos sobre a percepção do tempo durante a pandemia, é possível identificar que as pessoas estão sentindo o tempo de forma diferente: “Temos visto relatos de quase tudo: semanas que passam voando, outras que se arrastam. Mas, de maneira anedótica, todo mundo concorda que o tempo está diferente”.
        A maior diferença entre o antes e o agora? Não poder sair, andar pela cidade à fora imaginando a tela em que retrato a saudade que vesti como luva.

Além da letra e um verso que foi omitido da letra,
um poema intertextual escrito no ano seguinte