Mostrando postagens com marcador Beijo Estranho. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Beijo Estranho. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 5 de março de 2018

Vanguart em Santos

O mês de março está movimentado para a banda Vanguart. No dia 14 de março participarão de  m"Sessions 89" no Z Carniceria. Dia 17 estarão no Teatro Lauro Gomes em São Bernardo do Campo e dia 23 a banda tocará pela segunda vez no Lollapalooza Brasil, um evento com potencial para apresentar o trabalho para um novo público. Essa movimentação teve início no primeiro sábado do mês com um acústico na Arena Club na cidade de Santos. Diferente dos outros shows comentados, repassarei as canções por álbum, do último ao primeiro. Em tempo: Os títulos das composições levam à um clipe.. 
Foto de Renata Custódio @minutodoshow


Faz o que você não fez pela primeira vez

        Beijo Estranho fará um ano em abril. Com o lançamento do clipe Todas as Cores no fim de fevereiro esta se torna a terceira faixa do álbum a ganhar maior exposição. Após tocá-la, a banda relembrou de quando participaram da Virada Cultural Paulista em 2012. Àquela altura, contavam ainda dois álbuns em estúdio. Momentos dessa apresentação podem ser encontrados no YouTube. Em Eu Preciso de Você, Hélio tocou seu trompete com surdina para abrir e encerrar. Ele pontuou a presença de referências à poetas como Drummond, Walt Whitman e Hilda Hilst - se alguém souber qual é a de Hilda me contem, fiquei curioso* - e dedicou aos novos poetas que estivessem presentes. Fernanda Kostchak assumiu o microfone para agradecer a presença do público explicando as Felicidades de poder apresentar as músicas como elas surgiram. As "canções como a banda toca entre eles". Ou mesmo em Lives nas redes sociais como a recente Não Tá no Setlist ou uma em que Fernanda chegou a indicar compositores como Johannes Brahms e Gustav Mahler.
      Quando tocaram E o Meu Peito Mais Aberto Que o Mar da Bahia, houve grande comoção do público que percutiu cada um dos refrões com suas palmas. N'alguns momentos do canto, Hélio emulou um grave no melhor estilo Tim Maia. O quarteto admitiu que o "laralara", tão característico, foi a última coisa que gravaram para o disco e apenas depois de muitos conflitos sobre se deveria ou não entrar. Beijo Estranho encerrou a apresentação cantada à plenos pulmões. Com dois violões, violino e trompete a banda se mostrou em grande momento. A versão de estúdio tem um piano bem forte, no entanto, sua ausência não foi sentida. O violino seguiu causando arrepios coletivos numa música que ainda terá muito tempo de estrada.

O Que Seria de Nós?

         O álbum "divisor de águas" foi representado em peso. Muitos fãs de outrora acharam estranho o calor presente nas canções, outros tantos conheceram ali e se apaixonaram. Fato é, que em maior ou menor grau, muitos se renderam à Muito Mais que o Amor. A abertura foi com Estive. No pré-show, sucessos dos Beatles tomavam a casa. De acordo com a banda, a intenção era que entrassem no clima. O multi-instrumentista David Dafré foi apresentado como o músico que mais trocaria de instrumentos no show e com a sofisticação habitual (bandolins, violões de seis e doze cordas, lapsteel, clarinete, meia-lua, além de backing vocals! Versatilidade define). Quando tocam Demorou Pra Ser fica fácil perceber como essas canções lançadas em 2013 seguem angariando público. As letras evocam emoções identificáveis de cara. Como um casal em início de relação trocando juras: antes que eu soubesse já estava com você ou você é a vida da minha vida, por exemplo. Eu Sei Onde Você Está é sucedida por uma versão exclusiva de Reginaldo para a romântica Mesmo de Longe e ao final de Olha pra Mim, Hélio aconselha ao público guardar algumas fichas para apostar em si mesmos e não colocar todas as fichas no "outro alguém". Pelo Amor do Amor entregou à Santos dois grandes momentos. Um quase incidente no palco com Fernanda rendeu o alongamento do solo, como ouvido abaixo:


         As versões ao vivo são construções vivas e isso as torna um modelo ideal. Por mais a ouçamos nos discos, LP's ou streamings é no palco que as coisas se transformam. Como o poema declamado por Hélio em seguida:

"Um sinal do céu. Um telefone que podia tocar.
Como um dia em que, pela porta de trás da casa vazia,
Você ingressaria e me veria confuso por te ver.
Noites sozinho. Noites sozinha, lembra?
Tudo antes de ser. Eu tinha outro nome, você também.
Até que um dia te vi na rua e algo reconheci."

A menção à Valsa Brasileira de Chico Buarque dá mostras de quão abrangentes são as influências dos integrantes. Fechando os trabalhos do terceiro disco, entrou outra composição que figura na memória afetiva de muitos: Meu Sol.

O Que eu Não VIvi, eu Tô Indo Ver!

         No público, as mais diversas histórias. Haviam moradores da cidade ansiosos para rever o grupo. Havia quem estivesse à trabalho. Até mesmo quem já vivera na cidade e encontrou, no show, motivo para fazer as pazes com o lugar. Havia gente das proximidades: Itanhaém, Cubatão. Gente que precisaria correr para chegar à Praia Grande. No meu caso? Estava pela primeira vez na cidade que conhecia apenas por conta de Roberto e Erasmo, Mamonas Assassinas e Charlie Brown Jr. A questão é que centenas de pessoas estavam reunidas em virtude de admirar a arte daquele divertido quarteto no palco da Arena.


Proximidade da Plateia
         Outra parte da apresentação foi representada pelas composições do álbum Boa Parte de Mim Vai Embora. Para uns obra máxima do grupo, para outros "o disco deprê", que não deve ser nomeado.Começou com ...Das Lágrimas, primeira composição com as cintilantes linhas de Fernanda. Passando pela visceral Nessa Cidade que, como sempre, me colocou a refletir. Reginaldo comentou que no período "a gente não sofre mais nem por antecipação nem por amores que não valham a pena". Essa é justamente a questão.
        Quando se faz o juízo desse valor agregado? É preciso traçar rotas outras, forjar novas memórias em caminhos desconhecidos por aqueles que já não são dois? Além de divagar, talvez, me repito: quando do lançamento do segundo disco ela se mostrou uma das favoritas na apreciação melódico-poética. Anos depois, situações descritas na letra faziam parte de minha vida de forma que, mesmo presente no show de abertura da turnê atual no Teatro Paulo Autran, fui incapaz de escrever o que fosse relativo. Por ser, naquela noite, afetado emocionalmente. Já em Santos, o violão de doze cordas me manteve atento à nuances da música fluindo. 
         Numa matéria de Marie Eliis publicada no Medical News Today em 2013 dizia que pesquisadores no Japão concluíram que a audição de canções tristes pode levar os ouvintes a experimentar emoções ambivalentes. Uma vez que, a emoção induzida pela música, não é como a induzida por eventos pessoais. Esse pode ser um dos motivos para alguns artistas deixarem algumas composições de lado: uma vez que sua relação é direta e se entregar em canções surgidas de experiências traumáticas pode causar desconforto contrário ao êxtase do momento da criação. Voltando à Santos:
         Faixa melancólica contra a apatia generalizada Se Tiver Que Ser na Bala, Vai e ela responde muito bem ao formato, uma vez que a leveza do arranjo ressalta os três atos poéticos. As canções do segundo álbum tem daquela noção morriseyana de Rubber Ring e isso se amplifica a cada reencontro. Penúltima canção do show. Mi Vida Eres Tu é o caso da canção de melodia upbeat esperançosa e um refrão em espanhol de uma conclusão, não necessariamente, positiva. Um doce-amargo simples apenas se analisado superficialmente. Os versos de A Noite Mais Linda do Mundo de Odair José sempre surgem para nos colocar os pés no chão. Nem tudo são mágoas, tampouco flores.

O Que Importa é o Que te Faz Abrir os Olhos de Manhã

         O homônimo de estreia contou com apenas duas canções em meio ao repertório, mas não por isso menos significativas. Para Abrir os Olhos (o link é para uma gravação de 2007 do canal de Ricardo Spencer, que, entre outras afinidades dirigiu os clipes de "Mi Vida Eres Tu" e "Meu Sol".) e Semáforo. Sobre a última, Helio comentou ter sido a primeira canção que compuseram em português, antes, tinham mil motivos para não dizer a verdade. É isso. A verdade está em sempre seguirem seu caminho em frente. Como se olhar para trás os fosse transformar em estátuas de sal. A banda poderia ter investido num projeto revisionista pensando nos dez anos do primeiro de estúdio em 2017, entretanto, na contramão disso, comemoraram o pulsar da banda com um álbum que reuniu expoentes dos três primeiros e apontaram novas possibilidades sonoras. Terminar o evento em conversas informais com os integrantes da banda e do Sindicato, conhecer outros fãs (até uma próxima, Douglas) só tornou o evento mais especial. Naquela manhã todos os presentes abriram os olhos de manhã e aguardaram o anoitecer como fosse a noite do primeiro encontro. E, mais uma vez, era. 


Da Esquerda para a Direita: Reginaldo Lincoln, Claudia Almeida, Fernanda Kostchak, Thais Dias, David Dafré, Thales Salgado, Hélio Flanders e Renata Custódio

*Fui informado posteriormente pela Cláudia que o trecho de Felicidades faz menção à Do Desejo, uma série de dez poemas, lançada por Hilda em livro homônimo em 1992. 

domingo, 30 de abril de 2017

Beijo Estranho

"Essas músicas abrem uma nova janela na minha alma e por ela entra um ar que eu nunca havia aspirado. Sinto uma alegria imensa e bastante natural. Fico livre de diversas amarras da realidade e parece que o meu corpo está flutuando alguns centímetros acima do chão. Para mim, originalidade deve ser assim. É muito simples. Outro dia eu estava lendo o New York Times (2/2/2014) e encontrei o seguinte comentário sobre o surgimento dos Beatles: "Eles produziram um som novo, enérgico e claramente característico deles". É uma definição bastante simples, mas talvez seja a mais compreensível sobre originalidade. "Ser novo, energético e claramente característico." - Haruki Murakami, Romancista como vocação

Capa do álbum, criação de Juan Pablo Mapeto

         Foram-se mil trezentos e quarenta dias de Muito Mais que o Amor. Nesse meio tempo, Reginaldo Lincoln firmou seu lado compositor em seu Nosso Lugar (2014), Hélio Flanders se vestiu de tragédias portenhas n'Uma Temporada Fora de Mim (2015); Pudemos experimentar mais da voz de David Dafré nas experimentações em To Dorothee from Leonard (2016) e a hipnótica Fernanda Kostchak mostrou sua versatilidade fosse participando em show da banda psicodélica Violeta de Outono ou realizando, em seu duo Elektra, a trilha sonora da Night Run SP. A banda também aproveitou para registrar o sucesso da turnê em seu segundo dvd, e, como representasse um rito de passagem a banda passou a apresentar duas novas canções. Quando eu Cheguei na Cidade e Quente é o Medo. As últimas apresentações, em formato acústico, não permitiam vislumbrar a trilha a que a banda se dirigia. Que sensação melhor saber que, independente do que viesse, seria bem-vinda surpresa? Sim, há quem argumente que a expectativa é a mãe da decepção. Não é o caso com esse lançamento. A banda presenteia o mundo com um doce Beijo Estranho.
         Bons discos instigam desde o primeiro momento, o design da capa é belíssimo: num momento de pareidolia Rorschachiana, enxerguei a imagem de um artista derramando seu sangue em silêncios azuis. Com a tinta de suas veias ele roga por uma renovação. Garantida pelos morcegos cor de pêssego alcançando a cena. Se pensamos, claro, pelo ponto de vista da cultura chinesa que tem os quirópteros como símbolos de bençãos e boa sorte. Gosto como entre o equilíbrio dos cinzas e azuis há os vermelhos centrais. Estaria o personagem em espécie de nuvens? Posso estar a superanalisar; sem mais delongas, adentremos o disco: quando o vídeo de Beijo Estranho foi lançado semanas atrás, tivemos uma amostra do que estava por vir: começando com o piano passando pelo violino que passeia do lado esquerdo ao lado direito do áudio, praticamente criando uma resposta sensorial autônoma do meridiano involuntária.  A letra entregava uma chave importante de interpretação: a busca pelo equilíbrio do Ser. O eu-lírico descreve sua jornada de inquietação com os próprios rumos, o medo de olhar pra si mesmo. Destaque para as vocalizações de Flanders. É um upbeat - reflexo da abertura para influências de acid rock e hippie glam, como descrito na programação do Sesc? - e abre o disco soando diferente de tudo o que a banda fizera antes.
         Se eu fosse apostar uma música para encabeçar o repertório nos shows certamente seria Todas as Cores, sabe aquela coisa de "canta uma canção bonita falando da vida em ré maior" da Intuição de Oswaldo Montenegro? Começa com a gaita, violino, as vozes de Hélio e Reginaldo se fundem em algo que só pode ser definido como Vanguartiano. A guitarra de Dafré domina essa faixa que, diferente dos sentimentos da anterior que flutuavam entre despeito e resignação, fala de acreditar no amor e seguir em frente sem medo. A confiança mútua se apresenta como trilha para seguir por qualquer salto no escuro. Us against the world, Bonnie e Clyde, "ninguém vai nos parar". Na faixa seguinte finalmente o verso de Helio e Reginaldo no Sesc Bom Retiro em outubro de 2016 faz sentido. Naquela vez, depois da segunda música eles cantaram "o inverno acabou" e disseram que o público em breve entenderia. Felicidades principia com as pétalas, delicadas notas no teclado caindo e o trompete de Hélio num contexto alegre - ou muito me engano ou é a primeira vez. O arco de Fernanda costura os versos. O brejo das almas faz lembrar de Drummond. Whitmânicas visagens converte as Folhas da Relva em matéria prima. A influência de WW avança na criação.  Gosto de sentir um quê críptico na letra, seu final, todavia, carrega uma verdade: O amor é mais simples do que amar.
         "Não sentir vontade que não seja de infinito" me lembrou do Verbo no Infinito de Vinicius de Moraes. E o Meu Peito Mais Aberto que o Mar da Bahia é uma faceta do Vanguart mezzo-dançante. Dá para flutuar com as cordas, vocalizações e sair guiado pelo groove do baixo. Uma declaração que desemboca num cântico ao final. Tem ares de poder se tornar uma das favoritas dos fãs nesta nova safra com versos tais "E eu só queria te guardar/Onde eu pudesse ter/Sempre que eu sentisse medo/Tudo então seria pra dizer/Que o teu amor sem fim/Já mudou a minha vida". Homem-Deus traz Julio Nganga no cravo e o arranjo do lendário Wagner Tiso. Mais uma vez o duo Reginaldo/Hélio comandando a atmosférica canção; com imagens tais "quero água pra deitar". Em entrevista recente ao Estado, Flanders pontuou que esse não é um disco que será fácil para alguém que costuma seguir o trabalho da banda. Pode parecer pretensão, mas, no meu caso julguei ser justamente o contrário: se no disco anterior a intenção criativa era parar de fazer metáfora e falar o que as coisas são. Beijo Estranho se sobressai por apontar um equilíbrio entre as líricas dos álbuns anteriores.

Foto: Felipe Ludovice
         Quando eu Cheguei na Cidade já foi definida por Hélio como um rock-psicodélico-deprê-fantasmagórico. No show de lançamento de Muito Mais que o Amor ao vivo esta foi a primeira composição nova a dar as caras. Àquela altura com Júlio Nganga no orgão. Após a saída do baterista Douglas Godoy, Júlio dividiu as gravações do instrumento no álbum com Loco Sosa. A letra me lembrou o microcosmo de Nessa Cidade. Se naquela o eu-lírico explicava haver uma casa que ele não podia mais entrar, agora, há um sujeito se dirigindo a alguém nos termos "hoje já não tens a chave" e segue "e o que foi teu já é meu" afirmação que vai de encontro ao verso "boa parte de mim vai embora/a sua parte que hoje sou eu". Fantasmas do passado assombram o presente. Elas são parte da vida de um personagem em vários momentos: quando ele sai pra cidade, quando ele chega, e até mesmo quando ele foge e se depara com "todo o fim é bom" nos neons. Na cidade vanguartiana orbitam personagens diversos. Indo além, em Demorou pra Ser havia menção à chuva, âncora de lembranças em sua narrativa. As guitarras de Dafré explodem após o prelúdio da angústia ao violino de Kostchak. Em Eu Preciso de Você a banda apresenta uma doce balada pop, numa letra não-óbvia. É aquele momento de dizer que compositores menos talentosos não alcançariam a sutileza presente. A paixão e o ardor são desenvolvidos em sua curta duração. Se a alma não sente saudades de nada, os corpos se dispõe à concretude do enlace.
          Foi sozinho o meu caminho, quem ia cuidar de mim melhor que eu? Casa Vazia está repleta de expectativa. Haverá mudança? Se lar é onde o coração está, onde está o coração de alguém que não tem ninguém? É como a frase-motor da obsessão do jovem Vilnius Lancastre no romance Ar de Dylan: Quando escurece precisamos sempre de alguém. Você acredita num sentimento maior e anda pelas ruas o esperando, sem de fato compreender qual é o objeto desta espera, como saberá reconhecer? Há quem me pergunte a razão de gostar tanto tanto de Vanguart. No início era mais subjetivo e estético. No ano em que lançavam o primeiro álbum eu começava a compor e a certeza de que se podia fazer canções refletindo a próprio-Eu, independendo do resultado. Com o passar dos anos a identificação com o trabalho só fez crescer. Quente é o Medo também vem sendo apresentada pela banda desde o lançamento do segundo dvd. Naquele dia, o trompete fazia parte do arranjo. Será que pode vir como uma surpresa no decorrer desta nova turnê? Essa é uma das curiosidades que a audição suscitou. Voltando à canção: a sintonia entre a guitarra e o violino merece destaque nesta faixa, sua letra vem como um contraponto às incertezas. Aqui há entrega e partilha. "o que é meu é seu e esse mundo é nosso". O medo é visto como propulsor de transformações. 
       Quem é família sempre aparece. O tecladista e membro fundador Luiz Lazzaroto entrou em recesso da banda há pouco mais de um ano. Ele dá as teclas em Menino. Era 1985 e The Smiths já pediam que não se esquecesse as canções que nos salvaram e preencheram a vida. Menino é assim, boia salva-vidas, tábua de salvação ou outra metáfora a sua escolha. Quantos sonhos deixamos escorregar pelo caminho por receios diversos, julgamentos, pressões... Há uma primeira vez para tudo. Será? Talvez as palavras não devessem doer. As questões do tempo podem se aplicam a muitos campos da vida. Há uma frase que ecoará a cada pensamento agora: vai, e faz o que você não fez!
           Eis então a melhor faixa de encerramento entre os quatro álbuns do Vanguart: Pancada Dura. Há sempre alguma partida. Poetas inventam viagens, vão embora sem saber para onde, vão embora levando o amor consigo. Vão, mas voltam! Vão viver o que for mesmo que os faça chorar. . A canção contempla um pouco de tudo o que a criação é capaz de atingir. As guitarras nos alvejam antes de podermos sequer imaginar o piano ou o dedilhar violonístico, há o baixo sempre urgente, a voz catártica. Como em outros momentos há Deus. A investigação da vida prossegue num continuum. No instante em que o trompete chega o arco do violino já está a deslizar nos levando a navegar por um rio escarlate e a canção se encerra no exato instante em que desejamos mais. A espera pelo disco findou, e, o resultado não poderia ser melhor. A identidade coletiva da banda manifesta esmero e esboça novas possibilidades para o futuro, ao tempo que apara arestas passado num todo coeso; O melhor álbum da banda.